A superação da crise e a consequente retomada do processo de crescimento econômico e de avanços sociais em nosso país, passa, necessariamente, pela união dos diversos segmentos da sociedade em um pacto no qual o único e exclusivo compromisso é com o Brasil – e todos devem oferecer a sua cota de sacrifícios. É neste contexto que vemos o acordo firmado entre o governo federal e as entidades que compõem o Sistema S, no qual se incluem o SESI e SENAI, ambos vinculados à FIEMG no plano estadual e à Confederação Nacional da Indústria (CNI) no plano nacional.
É, de fato, um entendimento que merece comemoração, na medida em que explicita o grau de amadurecimento das lideranças do setor produtivo brasileiro e das próprias autoridades governamentais, no âmbito do Ministério da Economia. Dentro do que propôs a FIEMG, desde antes da posse do presidente Bolsonaro, o Sistema S arcará com a redução de 20% na contribuição compulsória que hoje recebe das empresas dos diversos segmentos do setor produtivo – agricultura, comércio, transportes e indústria. De sua parte, o governo compreendeu o sacrifício que será feito pelas entidades e concordou em escaloná-lo, para o setor industrial, ao longo dos próximos três anos.
É um acordo que atende as necessidades de redução do chamado “Custo Brasil”, buscando tornar as empresas brasileiras mais competitivas em relação às suas concorrentes nos grandes mercados globais e até mesmo no nosso mercado interno que, cada vez mais, vai sendo invadido e dominado pelos produtos importados. Se queremos ampliar a competitividade da economia brasileira e de nossas empresas, é absolutamente justo e necessário que, em vez de apenas cobrar do governo, também ofereçamos a nossa contribuição. É isso, exatamente, o que representa a redução de 20% nos recursos recolhidos pelas empresas ao Sistema S.
Também na forma como será implementado, o acordo alinha-se à posição proposta pela FIEMG de concentrá-lo exclusivamente no SESI, preservando-se integralmente os recursos destinados ao SENAI. Programas, projetos e ações do SESI não serão prejudicados, pois a entidade recebe hoje uma contribuição (1,5% sobre a folha de salários) maior do que a destinada ao SENAI (1%).
A vantagem, para a indústria e para a sociedade, é que o SENAI continuará investindo o mesmo volume de recursos no cumprimento de sua missão de oferecer ensino profissionalizante nos níveis de aprendizagem industrial (totalmente gratuito), técnico, aperfeiçoamento e superior. São serviços fundamentais e estratégicos para as empresas industriais na medida em que profissionais qualificados em nível de excelência são e serão sempre diferencial competitivo da mais alta relevância.
Ao subscrever o acordo em que voluntariamente abre mão de 20% dos recursos que recebe hoje, as entidades gestoras do Sistema S assumem, adicionalmente, o compromisso de aprimorar o seu modelo de gestão, desafio que encaramos com entusiasmo. Com o corte, como tornou-se comum dizer nos dias de escassez que vivemos hoje, teremos que fazer mais com menos, pois não podemos diminuir nem a quantidade e muito menos a qualidade dos serviços prestados à sociedade por SESI e SENAI, entidades consideradas modelo e referência em Minas Gerais, no Brasil e, sim, também no mundo.
De fato, os resultados de SESI e SENAI, presentes em quase 100 municípios mineiros, são realmente expressivos. No ENEM, a média das escolas SESI, de 658,34, supera a média das redes pública e privada do país, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro. Na rede SESI-Brasil, das 20 escolas melhor colocadas, todas são do SESI de Minas Gerais. No Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (IDEB) das 22 escolas SESI-MG, 14 são as melhores de seus respectivos municípios; e 19 estão entre as melhores de suas cidades. Nossa aluna Ana Luiza Cássia de Bragança, um honroso exemplo, do SESI de Pouso Alegre, foi aprovada em seis vestibulares de Engenharia – uma em segundo lugar, duas em terceiro e uma em 5º lugar.
O SENAI está presente em 60 municípios mineiros, com desempenho expressivo. A entidade forma e entrega para a indústria brasileira profissionais prontos para construir a competitividade necessária para termos um país desenvolvido. Trata-se, sem dúvida, de um serviço da mais alta qualidade, com resultados para toda a sociedade. Sem o SENAI, não há trabalhadores capacitados. Formamos mão de obra preparada para forjar o Brasil do futuro.
Todos esses excelentes resultados são oferecidos de forma democrática e aberta para os jovens de Minas Gerais. Já fazendo mais com menos, otimizamos investimentos e ampliamos em aproximadamente 10% o número de vagas em nossas unidades SESI e SENAI no estado. Somente neste ano, são mais de 100 mil alunos matriculados.
Este, em essência, é o patrimônio construído pelo Sistema S no setor industrial. Nosso principal compromisso é mantê-lo e ampliá-lo cada vez mais. Com o corte, necessário para ajudar o Brasil a vencer a crise e fazer a reforma tributária, nossa responsabilidade aumenta ainda mais. Felizmente, estamos preparados para fazer mais com menos. O compromisso do Sistema S é com o Brasil.

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