Alguns reclamam de ser “obrigados” a ficar em casa. Outros, de que também deveriam estar reclusos. O isolamento social, recomendado pelas autoridades para conter o avanço do novo coronavírus, desagrada parte da população. Mas a medida é a alternativa mais eficaz no combate à doença que assola o mundo e cada vez mais faz doentes no Brasil. Daí precisar ser definitivamente encarada como uma ordem por quem insiste em sair às ruas, mesmo tendo a opção de ficar em casa. Um simples passeio pode levar à contaminação – e ao risco de vida – para várias pessoas, afirmam especialistas.

Ter menos gente nas ruas é o único remédio para que a situação no país não chegue ao mesmo patamar da Itália. O número de mortes na nação europeia assusta: são mais de 6 mil. Em um só dia, a sexta passada, foram 627. Na China, onde tudo começou, houve mais de 3,3 mil desde o início.

“Estamos tomando atitudes antecipadas em relação à Itália. A esperança é que o que ocorreu por lá tenha sido um aprendizado”, destaca Estevão Urbano, infectologista do Hospital Madre Teresa, na capital mineira. Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), o médico é um dos especialistas do Comitê de Enfrentamento da Epidemia da Covid-19, criado pela Prefeitura de BH.

A quarentena, explica, é essencial porque quanto mais próxima uma pessoa da outra, maior a chance de transmissão do vírus por tosse, espirro ou mãos. “O afastamento social pode reduzir o nível de contaminação. Não acabar, mas reduzir”, frisa. O Ministério da Saúde calcula que a explosão de casos da doença dure até junho, com um colapso na rede hospitalar já em abril. Redução do número de novos pacientes, só de setembro em diante.

Nas ruas

Nem todas as pessoas podem, de fato, seguir a recomendação de isolamento. Há casos de porteiros de condomínios, seguranças e trabalhadores de supermercados e farmácias que não foram dispensados do serviço – algumas atividades, inclusive, são essenciais.

Autônomos também resistem em deixar as ruas. É o caso do guardador de carros Hermindo Vieira dos Santos, de 61 anos, que trabalha na rua Fernandes Tourinho, na Savassi, região Centro-Sul da capital. “É preciso ter cautela com a doença, mas não podem fechar todos os serviços e esquecer de quem não tem como sobreviver se tudo parar”, lamenta.

Para a chef de cozinha Michelle Machado, de 42 anos, porém, está havendo uma supervalorização da doença. “Claro que algumas medidas são necessárias, como a etiqueta de higiene. Mas da forma como o assunto está sendo tratado, pessoas ficam confusas e doentes mentalmente”.

Mas as ações, por mais agressivas que sejam, visam a evitar óbitos, destaca o imunologista Eduardo Finger, da operadora de saúde Care Plus. “O vírus não quer saber quem você é ou o que você faz. Se ele tiver uma chance, vai atacar. O problema nem é o vírus em si, é não ter condições de atender a pequena porcentagem de pacientes que serão graves e vão morrer”.

Fonte: Hoje em Dia

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