Ao contrário de outros setores do comércio, que amargaram perdas seguidas em 2020 em razão dos efeitos econômicos da pandemia da Covid-19, os supermercados, aparentemente, não têm muito do que se queixar. Segundo o Termômetro de Vendas, pesquisa mensal da Associação Mineira de Supermercados (Amis) com empresas de todos os portes e em todas as regiões do Estado – divulgada nesta terça-feira (9) -, o segmento registrou crescimento médio de 10,97% no ano passado. 

Além de significativo, tomando por base a maior parte das atividades de comércio e serviços, que viu o faturamento despencar ao longo da crise sanitária, o resultado presta-se a uma comparação ao menos curiosa: é mais de duas vezes o percentual acumulado da inflação no mesmo período: 4,56% em 12 meses, de janeiro de 2020 ao mesmo mês de 2021 – acima da meta central para o ano, que é de 3,75%.

A pesquisa referente a dezembro mostra ainda que na comparação com novembro o crescimento das vendas foi de 21,98%. O resultado é atribuído às demandas ocasionadas pelo Natal e fim de ano. Na comparação com o mesmo mês de 2019, a expansão foi de 12,66%. Todos os valores já estão deflacionados pelo IPCA/IBGE. 

O crescimento em dezembro seguiu o comportamento das vendas em praticamente todo o ano, numa trajetória bem acima da projeção de 4,5% feita pela AMIS no início de 2020.

Cenário

A chegada e a proliferação do novo coronavírus e as transformações provocadas no dia a dia do consumidor mudaram o cenário no segmento supermercadista. Com o isolamento social, o consumo durante o dia, que antes ocorria fora, veio para dentro das residências.  Adultos em home office ou, em muitos casos, desligados do trabalho e crianças sem escola elevaram o volume de compras das famílias, especialmente em itens da cesta básica e produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica.

Itens antes comprados nos bares e restaurantes, fechados em boa parte do ano, passaram a ser consumidos em casa. Isso fez elevar também a demanda de produtos, como bebidas e carnes, nos supermercados. “O crescimento do e-commerce, que ganhou muito espaço no setor em 2020, favorecido pelas transformações digitais de forma geral, também foi um fator que contribuiu com o aumento das vendas”, destaca o presidente-executivo da Amis, Antônio Claret Nametala. “Muitos consumidores optaram por ficar em casa e fazer as compras por meios digitais, e os supermercados responderam bem a essa demanda”, completa.

O auxílio emergencial pago pelo governo federal também foi um fator preponderante no aumento da demanda ao propiciar acesso a mais itens da cesta de compras a um número maior de consumidores.

Fonte: Hoje em Dia

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