Aposta para frear a pandemia do novo coronavírus, a chegada cada vez mais próxima de uma vacina vem acompanhada, ao mesmo tempo, de insegurança. A cada dez brasileiros, dois garantem que não vão tomar as doses contra a Covid-19, especialmente se for a chinesa Coronavac, conforme revelou pesquisa Datafolha.

 O tema ganhou os holofotes da Justiça. Até amanhã, antes do recesso de 20 de dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) espera terminar o julgamento de ação que busca tornar a imunização obrigatória.

Se receber parecer favorável dos ministros, governos estaduais e municipais terão o direito de exigir a vacinação. Nesse caso, os moradores que se negarem a receber as doses até poderão sofrer medidas restritivas indiretas, segundo especialistas, como sanções em programas sociais.

“Teve que chegar ao absurdo de o Supremo analisar. Tem que vacinar. A própria lei, que está sendo chamada de ‘lei do novo coronavírus’, fala da vacinação como medida de combate à pandemia. Em sociedade, o coletivo tem que prevalecer em relação ao particular”, avalia a advogada Juliana Hasse, especialista em Direito Médico e da Saúde.

Dúvidas sobre a eficácia da fórmula e a reação no organismo são argumentos para quem declara que não vai tomar a vacina contra a Covid. 

“Tivemos e temos vários desafios. O primeiro, criar vacinas. Outro é saber se elas vão produzir imunidade (anticorpos) e eficácia, ou seja, reduzir a transmissão. E, ainda, quando estiverem disponíveis, será convencer a população a tomá-las”, destaca o infectologista Leandro Curi.

Segundo ele, que faz parte do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Ibirité, na Grande BH, o comportamento atual de parte da população já projeta um cenário futuro desafiador. “Em 2020, a nossa vacina é o distanciamento social e a máscara, mas nem isso parte das pessoas está fazendo, o que já dita o que teremos que vencer pela frente”.

Fonte: Hoje em Dia

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