Um surto de sarampo ataca os estados de Amazonas e Roraima, no norte do Brasil, país que em 2016 foi certificado por erradicar o vírus.

De acordo com Ministério da Saúde, até 20 de junho, 463 casos (200 em Roraima e 263 no Amazonas) foram confirmados e outros 1.545 estão sob investigação.

As únicas duas mortes por sarampo desde o início do ano foram registradas em Roraima, estado limítrofe com a Venezuela e principal receptor do crescente fluxo de imigrantes provenientes deste país. Justamente dois venezuelanos faleceram no começo de 2018 em consequência da doença.

Segundo estudos de laboratório, a cepa do vírus encontrado no Brasil é a mesma em circulação na Venezuela, país que sofre uma severa crise política e econômica, com elevada escassez de alimentos, produtos básicos e remédios.

Quase 50 mil venezuelanos cruzaram a fronteira terrestre e buscaram legalizar sua situação no Brasil nos últimos três anos, a maioria em Roraima.om o ressurgimento do vírus, o estado instalou um posto de vacinação na fronteira e realiza campanhas de vacinação entre os imigrantes.

A organização de direitos humanos Survival International informou no final de semana que o sarampo também está atacando populações indígenas yanomamis na fronteira entre Brasil e Venezuela.

Segundo a organização, ao menos 23 indígenas buscaram atendimento no território brasileiro devido à doença.

Recomendação da OMS

O sarampo é uma doença altamente contagiosa, causada por um vírus que pode ser transmitido por via respiratória. Os sintomas começam a aparecer em 12 dias e incluem manchas na pele, tosse, febre e mal-estar. Além disso, em situações mais graves pode levar à pneumonia, inflamação no cérebro, cegueira e até mesmo à morte.

Por causa disso, a OMS recomenda vacinar a população para manter a cobertura homogênea de 95% com a primeira e segunda doses da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola em todos os municípios. Além disso, a entidade aconselha que os países identifiquem fluxos migratórios do exterior, como a chegada de estrangeiros, para facilitar o acesso aos serviços de vacinação, de acordo com o calendário nacional de imunização.

Outros países afetados

Ao todo já foram confirmados 385 casos de sarampo em toda a América: o primeiro país da lista, a Venezuela, registrou 279 casos, 67% deles registrados no estado de Bolívar. Outros países com altos números são Estados Unidos (41), Colômbia (5), Canadá (4) e México (4). Os casos nos Estados Unidos, México e Canadá foram importados ou associados à importação.

Argentina, Peru, Antígua e Barbuda, Guatemala e Equador também têm registro de pessoas infectadas. Os casos em Antígua e Barbuda e na Guatemala foram importados, respectivamente, do Reino Unido e da Alemanha. No Peru, que tem dois casos, autoridades locais investigam a região da infecção.

 

 

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Fonte:

AFP