Uma mulher de 33 anos e dois jovens de 27, foram detidos e uma adolescente de 17 anos foi apreendida, na manhã dessa quarta-feira (28), em Papagaios. Eles são suspeitos de falsificar documentos para receber indenizações indevidas da mineradora Vale.

De acordo com o portal G1, o grupo foi preso pela Polícia Militar no trevo de entrada do município com documentos que apontam os integrantes como autores de falsificações para o recebimento de indenizações da mineradora, em função de danos ambientais decorrentes do rompimento da barragem em Brumadinho.

Entre a documentação, foram encontradas receitas médicas e declarações falsas de endereço, indicando moradia em Maravilhas, município cortado pelo Rio Paraopeba, a cerca de 130 km de Brumadinho, onde a Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão se rompeu no dia 25 de janeiro.

Prisão

A prisão ocorreu depois que os militares foram informados pela supervisora de uma escola de Papagaios, de que a mulher se passou por parente da adolescente de 17 anos para pegá-la na escola, alegando que a garota estava se sentindo mal. A supervisora desconfiou da situação, relatando que elas saíram em um táxi. Os militares abordaram o veículo na entrada da cidade.

Após ouvir o relato dos três suspeitos e da adolescente, que caíram em contradição várias vezes, foi constatado que a mulher havia articulado um plano para que um dos envolvidos e a adolescente recebessem indenizações da mineradora.

Como agiam

Para atingir este objetivo, a suspeita estava utilizando declarações falsas de endereço e outros documentos com indícios de falsificação, que foram encontrados com o trio. Entre os documentos, estavam várias declarações em branco da Prefeitura de Maravilhas, duas declarações de endereço, com indícios de serem falsas, da adolescente e de um dos infratores abordados, diversas receitas médicas de remédios comuns e controlados, em branco, com carimbo e assinatura de um médico.

A mulher disse que já fez outras declarações de endereço falsas para a finalidade de fundamentar indenizações da citada mineradora e que, geralmente, ela recebe metade ou parte das indenizações. Ou seja, ela agia como uma articuladora. Ainda segundo o relato, uma das indenizações seria de R$ 6.900.

Diante dos fatos, foi dada voz de prisão aos suspeitos. Eles podem responder por estelionato, falsidade ideológica, corrupção de menores e formação de quadrilha. Eles foram conduzidos à delegacia, com a adolescente e os materiais apreendidos.

Indenizações

Em nota, a assessoria de Comunicação da Vale explicou sobre os pagamentos emergenciais a todos que residiam em Brumadinho ou até 1 km da calha do Rio Paraopeba, desde Brumadinho até Pompéu, na usina de Retiro Baixo.

A nota diz que “o documento prevê o pagamento pelo prazo de 12 meses (janeiro a dezembro, retroativamente) de um salário mínimo mensal para cada adulto, 50% de salário mínimo mensal para cada adolescente e 25% de salário mínimo mensal para cada criança. Moradores dos bairros Córrego do Feijão e Parque da Cachoeira recebem ainda uma cesta básica por família. Mais de 101 mil pessoas já estão recebendo a indenização regularmente”.

A empresa assinou um Termo de Acordo Preliminar (TAP) no dia 20 de março para garantir a autossuficiência das famílias. O acordo foi ajustado com a Advocacia Geral de Minas Gerais, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Defensoria Pública de Minas Gerais, Advocacia-Geral da União, Ministério Público Federal (MPF) e Defensoria Pública da União.

 

Fonte: G1 ||
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