O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nessa sexta-feira (20) que a Operação João de Barro, da Polícia Federal, não tem motivações políticas e a investigação teve como ponto de partida as auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU). A Operação tem por objetivo desmantelar um esquema de fraudes em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
?Quero deixar claro que todas as buscas e mandados de prisão não têm nenhuma destinação a alguma região específica ou mira qualquer facção política. O governo quer reafirmar que operações são normais e vão continuar, porque queremos combater a corrupção?, disse o ministro.
Segundo ele, a busca e apreensão de documentos nos gabinetes de dois deputados nessa manhã não indicam que o Congresso Nacional seja o foco das investigações. ?O Congresso Nacional não é o foco. Essa operação foi realizada com autorização do Procuradoria-Geral da República e foi feita com acompanhamento do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP)?, argumentou.
Os gabinetes dos deputados João Magalhães (PMDB-MG) e Ademir Camilo (PDT-MG) foram vasculhados pelos agentes federais que buscavam documentos que indicam a prática de fraudes. ?Não é uma investida contra a política, ou parlamentares, ou outros órgãos partidários?, disse Tarso.
O ministro ressaltou ainda que não há necessidade de mudanças no sistema de contratação do PAC. ?Eu acho que tem que apressar a contratação, mas com cautela para evitar o risco de fraudes?, disse. Segundo ele, apesar de quase 10% das prefeituras que têm obras do Programa estarem envolvidas no esquema, não há uma contaminação dos contratos. ?A CGU analisa sendo obra do PAC ou não. As distorções locais, me parece que cerca de mil cidades têm obras do PAC, não querem dizer, necessariamente, que o programa apresenta algum problema?, comentou.
A Operação
As buscas fazem parte da Operação João de Barro, que visa desarticular uma suposta quadrilha que teria desviado verbas de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para construção de casas populares.
É a maior operação realizada neste ano levando em conta o número de policiais envolvidos e a quantidade de mandados de prisão e busca e apreensão.
Cerca de mil policiais cumprem 38 mandados de prisão e 231 mandados de busca e apreensão em sete estados e no Distrito Federal (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás e Tocantins). Segundo a PF, 119 prefeituras são alvos de ações.
A suspeita é de que os projetos que integram o suposto esquema de fraude somem aproximadamente R$ 700 milhões. A PF calcula que a desarticulação da suposta quadrilha pode impedir fraude em contratos que somam cerca de R$ 2 bilhões.

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