A partir da próxima segunda-feira (31) terá início uma greve por tempo indeterminado dos servidores técnico-administrativos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG). O movimento foi decidido na tarde desta quinta-feira (27) durante assembleia da categoria realizada no saguão da reitoria do Campus Pampulha da UFMG.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino (SINDIFES), a “Greve em Defesa da Educação” é uma forma de enfrentamento à PEC 241/16, aprovada em 2º turno pela Câmara Federal nesta quarta-feira (26), e de combate também à “reforma da Previdência e demais ataques ao Serviço Público”.

O movimento dos técnico-administrativos já foi deflagrado em 28 universidades do país, entre elas, as mineiras de São João del-Rei (UFSJ), Lavras (UFLA), Alfenas (UNIFAL), Viçosa (UFV) e Uberlândia (UFU).

Questionado sobre quantos servidores deverão parar e quais serviços serão afetados com a paralisação, o Sindifes disse que só  poderá afirmar isso após o início da greve, mas que nas quatro instituições que decidiram pela greve estima-se um total de 11 mil trabalhadores. Apesar disso, o sindicato adiantou que geralmente os setores mais afetados são a biblioteca, laboratórios e secretarias de ensino.

Apoio de alunos e professores

Apesar do movimento paralisar alguns serviços prestados aos alunos, estudantes estiveram na assembleia e declaram apoio ao movimento dos técnico-administrativos, além pedir apoio da categoria às ocupações que aconteceu nas universidades também contra a proposta do governo federal.

Ainda de acordo com o sindicato, um grupo de professores da UFMG, sem movimento sindical, irá se reunir em assembleia na segunda-feira para definir se também participarão da greve contra a PEC.

Ocupações

Desde a semana passada, estudantes ocupam alguns prédios do campus Pampulha da UFMG. Até está quinta-feira (27), o movimento dos universitários contra a PEC 241 continuava nos prédios do Centro de Atividades Didáticas de Ciências Naturais (CAD1), Faculdade de Educação (FaE), Centro de Atividades Didáticas de Ciências Humanas (CAD2), Instituto de Geociências (IGC) e a Escola de Arquitetura.

Além dos prédios da UFMG, também estão ocupados outros 15 campus de universidades mineiras estão ocupados: UFV, campus Viçosa; UFVJM, campus Diamantina, Janaúba e Unaí; UNIFAL, campus Varginha, UEMG, campus Poços de Caldas e BH; UFSJ, em São João Del-Rei e Divinópolis; UFLA, Lavras; UNIFAL, campus Alfenas; UFMG, campus Montes Claros; UFTM, em Uberaba; UNIFEI, em Itajubá; e a UFJF, no campus Juiz de Fora.

Conforme o último balanço da União Nacional dos Estudantes (UNE), na tarde desta quinta-feira chegava a 112 o número de universidades federais ocupadas em todo o país.

Já a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) afirma que entre escolas estaduais e institutos federais são 1.154 instituições ocupadas. Em Minas, conforme a Secretaria de Estado de Educação (SEE), até esta quinta-feira estavam ocupadas 67 escolas estaduais.

Enem

Apesar do aumento das ocupações em universidades e escolas do país a cada dia, o Ministério da Educação (MEC) mantém a posição que foi divulgada na semana passada. Conforme o órgão, as ocupações têm até a próxima segunda-feira para evitar que as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sejam canceladas nestas instituições. A ideia do governo é que, nos lugares onde os estudantes estejam acampados, as provas sejam remarcadas. A estimativa é que a mudança custe mais de R$ 8 milhões.

“Respeitamos o direito ao protesto, é base de um Estado democrático de direito, mas o direito de estudar, de acessar uma prova que é inclusiva como o Enem, deve ser preservado a todos os brasileiros que queiram se submeter ao exame”, afirmou o ministro da Educação, Mendonça Filho, em nota emitida por sua assessoria de imprensa.

O MEC informou que já solicitou à Advocacia Geral da União (AGU) que “adote providências jurídicas cabíveis com relação à responsabilização dessas ocupações, já que o Estado brasileiro terá que cobrir os custos relativos à realização de uma nova prova para um número específico de estudantes”.

Para o exame, que tem previsão de ocorrer nos dias 5 e 6 de novembro, 8.627.248 pessoas estão inscritas. A consulta aos locais de aplicação de prova já está disponível desde a semana passada (enem.inep.gov.br). Dúvidas podem ser sanadas por meio do telefone 0800-616161.

 

Fonte: O Tempo Online ||

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