Tendência criada pela iniciativa privada, o trabalho em casa, ou home office, chega com força ao serviço público. Os tribunais mineiros aderiram à mudança cultural.
A prática foi adotada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG). Na semana passada, foi a vez do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) implantar a modalidade para servidores concursados, em caráter experimental. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) confirmou estudos para a adesão.

No TCE-MG, a medida foi regularizada em portaria publicada no último dia 11. De acordo com Joelma Conceição, diretora de Gestão de Pessoas da instituição, nove servidores, todos concursados e ligados à Superintendência de Controle Interno, já optaram pelo regime de trabalho. A carga horária é de 30 horas semanais, ou seis horas por dia. Entre as justificativas para a implementação do trabalho em casa estão a melhoria da qualidade de vida do servidor e o aumento de produtividade.

“O servidor tem que vir uma vez por semana ao Tribunal e, a cada 15 dias, vai se reunir com um coordenador para avaliar o andamento dos trabalhos”, explica Joelma. Só pode trabalhar de casa quem não tiver que prestar auditoria externa, atendimento ao público ou não tiver cargos de coordenação ou chefia.
O servidor em home office também terá que produzir 20% a mais que aqueles que continuam nas dependências do Tribunal.

“A área de gestão de pessoas fez toda uma orientação médica e psicológica, além de um manual sobre o home office”, explica a diretora do TCE-MG, que afirma que os nove servidores passaram por um treinamento de duas semanas, assistidos por profissionais de tecnologia da informação.

O balanço com relatórios sobre o desempenho dos servidores será publicado após um ano de experiência. “Quem não cumprir a meta e a compensação justificadamente pode ser retirado do home office”, explica Joelma. Segundo ela, aqueles que não se adaptarem poderão regressar ao trabalho no espaço físico do TCE-MG.

Judiciário
No TJMG, o home office foi instituído em abril de 2016, e, hoje, abriga 42 funcionários. Destes, quatro trabalham em outros estados. São servidores de quatro varas de Belo Horizonte, que precisam, assim como no TCE-MG, cumprir metas de produtividade 20% superiores.

Já no TRT-MG, são 58 servidores realizando as atividades de casa, sendo que os primeiros começaram no fim de 2014.

O Tribunal Regional Eleitoral, por sua vez, instituiu uma comissão para implantar o teletrabalho.

No Judiciário, a medida foi regulamentada em junho do ano passado, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou resolução permitindo o trabalho em casa. O Conselho determina que os funcionários públicos que aderirem à iniciativa produzam mais que os colegas que não optarem pela modalidade.

Especialista diz que modalidade requer transparência do setor público

Para Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, nem sempre trabalhar de casa significa uma maior produtividade. “Em determinadas situações, a proximidade dos servidores gera maior produtividade”, explica.

Na visão do economista, uma ida a uma sala vizinha, para uma reunião pessoal, pode resolver, em alguns minutos, o que, às vezes, demoraria mais tempo pela internet.

Para Castello Branco, as instituições devem ser transparentes e implantar alternativas para que o contribuinte, que é quem paga o salário dos servidores públicos, possa acompanhar a evolução do desempenho desses funcionários.

“É extremamente importante que as metas sejam do conhecimento público para que elas possam ser discutidas, até mesmo para que o tribunal possa se proteger de eventuais queixas e comentários desairosos”, responde o economista, que também trabalha em home office.

Segundo ele, o processo deve começar com a divulgação de quais categorias e empregados serão contemplados com a oportunidade de exercer o ofício no próprio lar.

“Essa área de relações de trabalho tem sofrido mudanças por causa do desenvolvimento da tecnologia. Porém, para o home office ser implantado no setor público, é preciso ter muita transparência”, reitera.

Comprometimento
Cynara Bastos, supervisora de carreiras do Ibmec-MG, acredita que o home office pode ser positivo para os empregadores pela possibilidade de as demandas estarem ligadas à entrega por produtividade.

“Se for algo que dá um controle correto dessa entrega, acredito muito nessa modalidade”, afirma a especialista.

Para ela, o tempo gasto no trânsito e na rotina diária faz com que, em um regime de seis horas – adotado, por exemplo, pelo Tribunal de Contas do Estado –, um funcionário produza, normalmente, cerca de quatro horas.

“Quanto mais claro está pro colaborador aquilo que ele precisa entregar, maior a produtividade dele. Mas aí temos os desafios. No home office, o profissional tem que ser muito compromissado porque é muito fácil ter distração”, explica Cynara.

Editoria de Arte / N/A

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Hoje em Dia