Em 3 de maio de 2002, escrevi o artigo “Uma ideologia para o Lula”, ainda disponível na internet no jornal baiano A Região, artigo em que fazia algumas previsões sobre o que poderia acontecer nos anos vindouros, previsões nada douradas.

Naquele momento, Lula estava em primeiro lugar nas pesquisas e já virtualmente eleito. E eu ainda estava filiado no PT – era um vermelhinho desbotado, é verdade!-, apesar de já ter recebido o recado do Zé Dirceu para que eu saísse do partido por querer mostrar os problemas de Catanduva. Aliás, os mesmos que antevia no Lula, já que a maioria dos petistas que entram em contato com o poder cede ao autoritarismo e sucumbe à corrupção e ao fisiologismo.

Nessa época, o Partido dos Trabalhadores era o detentor da Moral e da Ética na Política. Eu acreditava sinceramente nisso. Mas o PT mudou, testemunhei de perto isso quando participei da administração petista de Catanduva por quase quatro anos. Vi a corrupção dos companheiros, aos poucos, lenta e gradualmente. Quando se percebe, o companheiro petista está pior que os corruptos da Direita.

Em 2002, o silêncio do Lula nessas questões era perturbador, um prenúncio que viraria um ditador e ímprobo. Naquele artigo, eu alertava da importância dos jornalistas para evitar isso e não poderia estar mais certo, já que Lula corrompeu e seduziu a muitos. Para a sorte deste Brasil, não a todos.

Em 2004, o senador Jefferson Peres denunciou aos brasileiros o processo de mexicanização do Brasil, ele viu esses sinais quando Lula criou milhares de cargos no governo federal e estatais para nomear muitos petistas, sequestrando o Estado. O projeto visava permanecer 70 anos no poder, tomando de assalto o Estado, cooptando a imprensa e criando uma “legião estrangeira” dentro do Congresso. O Poder do Dinheiro.

Hoje, depois de Mensalão e Petrolão e mais tudo que vemos, a pergunta na boca do povo inverteu-se: alguém acredita ainda que o Lula e a Dilma sejam realmente honestos? Se, em 2002, muitos já duvidavam, quanto mais agora. Lula até gosta de se mostrar como um pobre vencedor, que chegou lá, que ficou rico… Mas o clã ficou muito, mas muito rico mesmo! E não tem como justificar, foi torneiro mecânico, sindicalista e político… E ser político enriquece alguém honestamente? E os fatos mostram que sua alma não é de pobre e já não se importa com os pobres.

Após 13 anos de poder, o analfabetismo voltou a crescer, a corrupção grassa, uns poucos amigos empresários enriquecem superfaturando e recebendo vultosos empréstimos subsidiados, e muitos familiares fazem negócios milionários com aqueles empresários. Os filhos gênios!

A divulgação das escutas do Lula pelo juiz Moro foi uma ação republicana e ética, talvez seja questionável a legalidade, mas ouvir as gravações nos remetem a crimes contra o Estado que não podem ficar impunes nem permanecer ocultos da Justiça porque nos foi revelado que a alma que se diz mais honesta não passa de uma alma penada, que foge do Moro como se ele fosse a cruz e convoca seus peões para serem bucha de canhão.

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