O conceito de nação é concebido como um grupo de pessoas unidas por laços naturais eternos, sendo esses a base da organização do poder sob a forma de Estado nacional (Bobbio, Norberto. Dicionário de Política, vol 2, 1998, p. 796).

O Brasil, entre 1930 e 1980, teve altas taxas de crescimento econômico, fruto de diversas alianças pela união nacional.

A partir daí, não foram construídos novos pactos. Houve uma série de crises, desde a do petróleo, da dívida externa, do aumento da taxa de juros interna, da inflação, essa solucionada com a implantação do plano real, em 1994.

Também tivemos a implantação das políticas neoliberais, caracterizadas pelo alto grau desarticulador, pois pressupõe a necessidade de diminuição do tamanho da máquina pública, venda de empresas estatais, retirada de subsídios de setores, diminuição dos direitos trabalhistas, abertura comercial. Passa a existir uma luta pela sobrevivência dos diversos agentes econômicos, na busca pela manutenção de incentivos, subsídios, direitos trabalhistas, barreiras a importações, etc. Essa luta gera o esgarçamento dos laços sociais da sociedade.

Por sua vez, o capital internacional, em busca de mercados rentáveis, incentiva e aplaude a implantação de políticas neoliberais em países em desenvolvimento, favoráveis aos seus interesses. Entretanto, os países desenvolvidos não aceitam a adoção interna de uma política de abertura ao capital internacional, fazem barreiras protecionistas, sob a justificativa de preservar a sua segurança social, alimentar, energética, etc.

É inspiradora a lição de Luiz Carlos Bresser Pereira, no livro “A construção política do Brasil: sociedade, economia e Estado desde a Independência”, p. 312, onde diz: “Somente existe nação quando, apesar dos conflitos de classe, há solidariedade básica entre elas com relação à competição com as demais nações”.

Reforça o espírito de nação, as ações dos Estados Unidos, dignas de orgulho para os americanos, onde o governo e os políticos defendem as empresas nacionais, sem isso ser ilegal, e, além disso, protegem o cidadão americano, em qualquer parte do mundo.

No momento, o Brasil não tem um novo equilíbrio para proporcionar a tranquilidade necessária para um crescimento econômico e social, mas é preciso construir as diretivas mestras da proteção ao que é nacional e a seus cidadãos. A partir daí, podemos passar a ter um projeto de nação, de identidade nacional, pelo qual, mesmo com eventuais disputas internas e até dificuldades, nunca esqueceremos a importância da defesa dos valores nacionais (trabalho, empresas, instituições, cidadãos), sempre na busca para ser uma nação forte e com alta autoestima, gerando a união de todos os setores e deixando de lado as suas diferenças e, assim, se aliar pela defesa dos anseios nacionais, nos afastando da dependência a interesses internacionais, que só querem nos dividir.

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