Longe da terra natal sou tomado pela notícia do falecimento do senhor Rubens Garcia. Fisicamente longe, fraternalmente perto. Que se possa relembrar sua marcante presença entre nós como empresário e empreendedor, membro do Rotary e conselheiro do Conselho Deliberativo da nossa Fundação Educacional. Mas, principalmente, enaltecê-lo como pai, avô, tio, sogro e como grande amigo.

Hoje, passado já dos 50 anos, relembro que convivi com “seu” Rubens desde os 15, levado pelos seus filhos, meus colegas de classe no Colégio Santa Terezinha. Nos reuníamos em sua casa para trabalhos escolares, sempre recebidos com imenso carinho. Adolescentes, ficávamos atentos ao que nos dizia, ora com seriedade indispensável ao assunto, ora com bom humor e sorriso cativantes.

Já saídos da adolescência, entrados na fase adulta, continuávamos a frequentar a casa dos Garcia, embalados por uma convivência e amizade sempre fortalecidas e renovadas. À prova do tempo. Tempo que, democraticamente, passou depressa pra todos. Para alguns vieram os filhos; para ele, os netos. Seu Rubens mantinha a sisudez quando preciso; hilário e bem humorado quando quisesse. E ele sempre queria. Era nesses momentos que surgia entre nós, a “brincadeira séria” de fazê-lo candidato a prefeito de Formiga. E então o chamávamos de “o prefeitável”. Ele jamais aceitou.

Que prazer ser bem recebido por ele e família, em fins de semana, na fartura de uma mesa repleta de comida e bebida. Era quando destilava em nós seus conhecimentos sobre as virtudes de uma boa cachaça. Diga-se, aliás, que seu Rubens era produtor de aguardente das boas, com histórias pouco críveis sobre as relações entre a bebida e seus distantes descendentes lusos.

Quanto aprendizado ao manifestar suas opiniões políticas, ora progressistas, ora cautelosas, temperadas com fatos de quando sequer éramos nascidos. Que satisfação ser atendido por ele na Drogaria Santa Maria, sempre com presteza e consideração. Que alegria ouvir suas histórias “veridicamente inventadas” do Oeste de Minas, seus personagens ou deliciosas piadas. Uma delas me envolveu diretamente: era noite de sábado e nós, seus filhos e amigos, estávamos reunidos em volta de uma mesa com os acepipes de sempre. No que alguém comenta que o único da mesa que ainda não havia casado era justamente eu. Sobreveio uma chuva de brincadeiras e gozações. Prontamente seu Rubens interveio e perguntou-me minha idade. Ao afirmar 38 ele disse a todos: “mas é um menino… tive um tio em Iguatama que casou com 44 e ainda acha que se precipitou…!” Ninguém se conteve em gargalhadas.

Já vai longe no tempo esses anos vividos com seu Rubens. Deserdado da terra amada, fiquei tempos sem vê-lo. Em uma ou outra ocasião, por força do acaso, calhava de encontrá-lo a caminhar, com andar altivo. Cumprimentava-me como se tivesse visto no dia anterior. Sempre com um farto sorriso.

Os antigos diriam que esse texto é um epitáfio. Não gosto da palavra. É sinônimo de tristeza. Estamos todos tristes, claro. Pela perda do empresário ícone gerador de empregos, do ativo membro rotariano ou do conselheiro da FUOM. Mas essas palavras se prestam especialmente a dar relevo ao ser humano excepcional que foi, detrás daqueles tantos outros. Todos numa só pessoa, que mesmo não nascida em Formiga, tanto a amou e por ela tanto lutou.

Eu e meus amigos, de mesma classe escolar, próximos como uma fraternidade, recebemos do seu Rubens lições sobre respeito, amizade e honradez que ficarão marcadas para sempre em nossas mentes e corações.

Descanse em paz, seu Rubens.

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