Da Redação

A partir da habilitação de 12 novos leitos de UTI em Formiga, a Santa Casa do município, de fato, passará a ter 19 ventiladores mecânicos (respiradores) para uso exclusivo em pacientes infectados pelo novo coronavírus, com disponibilização gradativa, a partir do registro de mais casos graves da doença.

A informação foi divulgada pelo prefeito Eugênio Vilela e o diretor clínico do hospital, o médico Yuri Amorim, em vídeo gravado nessa terça-feira (7), durante visita do chefe do Executivo ao hospital.

O número total desses equipamentos é, inclusive, a base do protocolo de tomada de decisões, desenvolvido pela Câmara Técnica de Enfrentamento ao novo coronavírus, utilizado desde o início da segunda quinzena de junho em Formiga. A medida determina parâmetros que podem definir o funcionamento de serviços, fechamento ou abertura do comércio e até mesmo a medida de “lockdown”, caso seja necessária.

Durante coletiva de imprensa, realizada na tarde desta quarta-feira (8), questionado sobre a ocupação do equipamentos e dos leitos de UTI exclusivos para pacientes de Covid-19 por pessoas de outros municípios e sobre a transferência de pacientes de Formiga para a UTI de outras cidades, o secretário de Saúde, Leandro Pimentel, explicou que a ocupação das vagas na unidade de terapia intensiva é controlada pelo Estado por meio do Sistema do “SUS Fácil” e da mesma forma que não se restringe leitos de UTI, não é possível restringir o uso dos respiradores por município. “Já tivemos aqui internadas pessoas de Itaguara, Itapecerica e outras cidades que precisaram do respirador”, comentou Leandro ao confirmar, que, na terça-feira (7), os seis leitos então disponíveis para a doença estavam ocupados, fazendo com que um sétimo paciente precisasse ser transferido de município.

Por se tratar de uma unidade hospitalar de referência microrregional, o uso dos aparelhos por pacientes de fora de Formiga já era algo esperado, porém, segundo o secretário, essa ocupação por pessoas vindas de fora, independente da quantidade, poderá afetar o protocolo de tomada de decisões.

“Estamos focados na capacidade de atendimento dos casos graves de acordo com a quantidade de aparelhos (respiradores) disponíveis, independente de quem está os ocupando”, explicou o secretário.

Em um cenário hipotético, um número expressivo de respiradores esteja ocupado por pessoas vindas de outros municípios para Santa Casa, fazendo com que a taxa prevista no protocolo alcance um índice de emergência (o mais crítico), a cidade poderá sofrer restrições severas no funcionamento de serviços e do comércio e até mesmo ter o atendimento restrito aos serviços essenciais.

Porém, apesar de não ser exato na realização de um panorama da situação da doença no município, justamente por apontar um número maior de casos graves registrados como se fossem parte do cenário pandêmico de Formiga com relação às infecções locais, Leandro afirmou que a Câmara Técnica acredita que esse controle (de ocupação de respiradores) seja a única forma de se saber sobre as condições para o atendimento de doentes acometidos pela Covid-19 e as medidas de distanciamento que podem evitar ainda mais infecções.

Entenda o protocolo

O documento prevê ações a partir de níveis de ocupação do total disponível de “ventiladores mecânicos” no município, destinados, exclusivamente, à pacientes internados com Covid-19 na cidade. Estes são os aparelhos usados como “respiradores” em pessoas que apresentam insuficiência respiratória provocada pela doença.

Foram definidas faixas de percentuais de ocupação dos equipamentos, com previsão de ações para cada uma dessas faixas, representadas por cores:

Na cor verde, Nível 1, que significa “Atenção”. No nível 1 a taxa vai de zero a 39% de ocupação dos ventiladores mecânicos, o que representa manutenção das medidas definidas no Decreto 8.264, publicado em 1 de junho de 2020.

Na cor amarela, Nível 2, que significa “Alerta”. No nível 2 a taxa vai de 40% a 59% de ocupação dos ventiladores mecânicos, que representa um score (índice) epidemiológico para avaliar o nível de atenção. Se o aumento no número de novos casos for maior que 50% em sete dias, sendo destes 30% ou mais de pessoas da população de risco, deve-se avançar para o nível 3. Caso não atenda esse parâmetro, deve-se manter as medidas do nível 1.

Na cor vermelha, Nível 3, que significa “Crítico”. No nível 3 a taxa vai de 60% a 79% de ocupação dos ventiladores mecânicos, o que determina a manutenção do funcionamento apenas dos serviços essenciais.

Na cor preta, Nível 4, que significa “Emergência”. No nível 4 a taxa vai de 80% a 100% de ocupação dos ventiladores mecânicos, o que representa medida de “lockdown”.

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