O sarampo era considerado uma doença erradicada no Brasil desde 2016, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou que o país estava há um ano sem registro de casos do vírus. Mas isso mudou neste ano: boletins recentes da entidade advertem que está em curso um surto da doença, altamente contagiosa e que pode levar à morte de crianças pequenas ou causar sequelas graves.

Entre 1º de janeiro e 23 de maio deste ano, foram registrados 995 casos de sarampo no país (sendo 611 no Amazonas e 384 em Roraima), incluindo duas mortes, segundo a OMS. Na região Sudeste, um caso foi confirmado em São Paulo, dois no Rio de Janeiro e 18 estão em investigação no Estado. Além disso, casos isolados e relacionados a pacientes que se contaminaram em outros locais foram identificados no Rio Grande do Sul (6) e Rondônia (1).

Em Minas Gerais, 6 milhões de habitantes não se vacinaram contra a doença, situação que preocupa as autoridades. Há mais de 50 casos suspeitos no Estado, mas nenhum confirmado.

Com a inserção da dose contra sarampo no calendário nacional de imunização desde 1980 e nas campanhas de vacinação desde 1990, o percentual de vacinados vem caindo, o que dispara o sinal de alerta. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas, no ano passado a cobertura vacinal da triviral (que protege também contra caxumba e rubéola) como primeira dose (para crianças de 1 ano) foi de 83,69%. A segunda dose, para crianças de 15 meses, foi ainda menor (74,84%).

Já este ano, até maio, a primeira dose alcançou 77,56% do público-alvo, enquanto a segunda protegeu apenas 61,21% dos bebês – percentuais bem abaixo da meta de 95% de cobertura. Apesar da população vulnerável, não há casos confirmados da doença no estado. Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), houve 66 registros suspeitos de sarampo no ano passado, mas todos foram descartados. Em 2018, 56 notificações estão em análise.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), atualmente, o calendário nacional de imunização oferece 19 vacinas gratuitamente à população, todas recomendadas pela OMS, como BCG; HPV (vírus do papiloma humano); pneumocócica, contra pneumonia; meningocócica C, contra meningite; e febre amarela.

Em Formiga, a vacina tríplice viral que protege contra sarampo, rubéola e caxumba está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS’s). A vacinação ocorre de 7h às 17h e está disponível para pessoas de até 49 anos.

De acordo com a diretora de Vigilância e Saúde do município, Ana Dalva da Costa, agentes de saúde de todas as UBS’s fazem a busca ativa de pacientes que não foram imunizados.

A primeira dose da tríplice viral é aplicada em crianças com 1 ano, após três meses é aplicado o reforço. Ainda segundo Ana Dalva, dos 6 aos 29 anos, todos devem ter duas doses da vacina e dos 30 aos 49 anos, uma dose apenas de triviral.

Doença

O sarampo é uma doença infecciosa viral extremamente contagiosa. A transmissão se dá por meio de secreções das vias respiratórias, podendo ser transmitida diretamente de uma pessoa a outra ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

O contágio pode ocorrer também por dispersão de gotículas no ar, em ambientes fechados como escolas, creches e ônibus. Os principais sintomas são febre alta, manchas avermelhadas em todo o corpo, congestão nasal, tosse e olhos irritados e a doença pode desencadear complicações graves, como cegueira, encefalite, diarreia intensa, infecções do ouvido e pneumonia, sobretudo em crianças com problemas de nutrição e pacientes imunodeprimidos.

Embora a única prevenção eficaz contra o sarampo seja a vacina, a SES alerta para cuidados para evitar doenças de transmissão respiratória: higiene das mãos com água e sabão; evitar tocar os olhos, nariz ou boca depois de contato com superfícies; usar lenço de papel descartável; proteger com lenços a boca e nariz ao tossir ou espirrar, para evitar disseminação de gotículas; evitar aglomerações e ambientes fechados. O doente deve também evitar sair de casa enquanto estiver em período de transmissão da doença (até sete dias depois do início dos sintomas).

Poliomielite

De acordo com o Ministério da Saúde, a poliomielite, doença que provoca paralisia infantil, também pode voltar a ocorrer no país. Segundo o órgão, 312 municípios do país correm alto risco de surto. A doença era considerada erradicada no continente desde 1994, após décadas provocando milhares de casos de paralisia infantil.

Para vacinação contra a poliomielite em Formiga, os pacientes precisam agendar na UBS’s. Segundo Ana Dalva, “o Ministério da Saúde não disponibiliza um quantitativo de dose suficiente para distribuição em todas as unidades, desta forma, trabalhamos com agendamento”.

Para menores de 1 ano, a vacina contra a poliomielite é aplicada junto com a pentavalente. Já para crianças com mais de um ano, a vacina é ministrada por gota, a popularmente conhecida “gotinha”.

Campanha de vacinação

O Ministério da Saúde decidiu mudar a estratégia de imunização. Vai retomar procedimento bem-sucedido nos 1980 e 1990: as campanhas específicas.

Este ano, de 6 a 31 de agosto, em vez da já tradicional campanha de multivacinação, o Brasil terá uma ação mais focada, contra a pólio e o sarampo. O investimento do ministério nas campanhas deste ano já passa dos R$30 milhões.

Em 2017, todas as vacinas oferecidas gratuitamente ficaram abaixo da meta de 95% preconizada pela Organização Mundial de Saúde para o controle de doenças infecciosas. Em 2011, por exemplo, as coberturas para pólio e sarampo – consideradas graves – eram de 100%.

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Com portais de notícias