No lugar de uma segunda dose da mesma vacina contra Covid-19 que tomaram da primeira vez, 20 pessoas em Belo Horizonte receberam, por engano, um imunizante de fabricante diferente na segunda dose, de acordo com a prefeitura. 

Um dos casos é o de um guarda municipal que recebeu, em abril, uma dose da vacina da AstraZeneca e, em julho, uma unidade do imunizante da Pfizer, segundo ele relatou, sob anonimato, ao programa “Bom Dia Minas”, da Rede Globo, nesta sexta-feira (16). Ao jornal, ele disse que as funcionárias do posto, no bairro Betânia, não checaram com cuidado seu cartão de vacina. Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) confirmou que monitora a situação do homem, porém não deu mais detalhes sobre a ocorrência ou que erros a equipe do posto de vacinação teria cometido.

O professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Flávio Fonseca, pontua que há estudos internacionais que indicam que é seguro combinar os dois imunizantes, e também resultados preliminares de que a combinação é eficaz. “Esse tipo de associação vem sendo estudada pelos próprios laboratórios fabricantes, porque existe um interesse estratégico devido à oferta flutuante das vacinas”, pontua. Por enquanto, a bula das vacinas não prevê a combinação, que só ocorre em casos de erro ou pesquisa.

Um estudo encomendado da Universidade de Oxford, por exemplo, demonstrou, com base em 463 voluntários, que a combinação de doses da AstraZeneca com a Pfizer é segura. Fonseca lembra, entretanto, que não há evidências robustas sobre a combinação da Coronavac com outros imunizantes, já que a vacina apresenta várias partes do vírus ao sistema imunológico, enquanto as opções da AstraZeneca e da Pfizer focam em uma proteína específica do coronavírus. Assim, o modo como funcionam é diferente e dificulta uma combinação, de acordo com ele. 

“Se misturarmos duas vacinas sem estudo sobre a combinação delas, considero que a pessoa não foi vacinada. É como se tivesse recebido só uma dose de cada uma delas”, completa o virologista. Um estudo conduzido nas Filipinas pretende avaliar a combinação da Coronavac com outras vacinas, inclusive as demais utilizadas no Brasil, porém ainda não tem conclusões. A reportagem questionou a PBH se houve pessoas que tomaram uma dose da vacina de origem chinesa associada a outro imunizante em BH e aguarda retorno. 

Seja qual for a combinação de imunizantes, a orientação do Ministério da Saúde é não aplicar uma terceira dose em quem tenha recebido vacinas “trocadas”, de acordo com a PBH. Por meio de nota, o Executivo municipal informou, ainda, que “faz um rigoroso acompanhamento diário dos processos de vacinação. As equipes são todas treinadas e serão, novamente, orientadas”. Ele também reforçou que os casos de vacinas trocadas foram reportados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Fonte: O Tempo

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