Se a vacinação contra a Covid-19 precisar ser feita no Brasil de maneira recorrente, como no caso de outras doenças, entre elas a gripe (H1N1), o país precisará desembolsar por ano mais de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) para adquirir cerca de 422 milhões de doses de imunizantes e conseguir vacinar toda a população suscetível ao coronavírus, que hoje é de 211 milhões de brasileiros, segundo dados do IBGE. Desse montante, mais de 42 milhões de vacinas seriam destinadas para Minas Gerais, que tem 21,4 milhões de moradores.

A informação é do cientista de dados e professor Braulio Couto, do Centro Universitário Uni-BH, que fez uma projeção dos custos das vacinas, em dólar, que já foram negociadas pelo Ministério da Saúde com as indústrias farmacêuticas. No cálculo, o estatístico usou como base o valor em moeda norte-americana publicado, no mês de março, em um artigo da revista científica “The Lancet”, que aborda os desafios para garantir o acesso global às vacinas da Covid-19. 

“Considerando um cenário em que as vacinas usadas no Brasil necessitam de duas doses, exceto a da Janssen, são necessários aproximadamente 420 milhões de doses para a imunização de toda a população do país. Para 2021, estima-se um investimento de mais de US$ 6 bilhões já realizado ou por finalizar. Por ano, serão necessários mais de US$ 3 bilhões para imunizar toda a população brasileira, sendo US$ 318 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão) o investimento em vacinas para a população de Minas”, afirma Couto. 

É importante ressaltar que esse gasto para os cofres públicos foi calculado sem considerar as possíveis perdas de doses da vacina, o que tem ocorrido com frequência no país durante a campanha de vacinação contra a Covid-19 do Ministério da Saúde, que tem como público-alvo os 160.044.909 brasileiros acima de 18 anos. 

O imunizante da AstraZeneca é o mais barato (US$ 5 a dose) comprado pelo governo federal até o momento, que já negociou a compra de 662.512.770 doses com diferentes laboratórios, a um custo total estimado de US$ 6,1 bilhões. Essas doses são suficientes para imunizar mais que o dobro da população adulta. Mas a transferência de tecnologia da vacina entre a farmacêutica AstraZeneca e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai permitir que a produção do imunizante passe a ser totalmente nacional, o que pode ajudar a diminuir os gastos com a vacina da Covid, caso seja necessário revacinar a população anualmente. 

MAIS RECURSOS PARA PESQUISAS

A Secretaria Geral da Presidência da República informou que o presidente Jair Bolsonaro sancionou a liberação de R$ 415 milhões para testes de vacinas contra Covid que estão sendo desenvolvidas no Brasil.

Os recursos serão destinados a testes clínicos nas fases 1, 2 e 3 de vacinas contra a Covid-19 que estão sendo desenvolvidas no Brasil pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Isso é indício de que o governo já espera uma vacinação em massa contínua.

Epidemiologista e ex-coordenadora do Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, Carla Domingues disse que é cedo para prever isso. “Não estamos nem com 20% da população vacinada com as duas doses. Nesse momento, temos que discutir a vacinação da população com uma segunda dose, e não falar em terceira dose. Ainda não tem estudos que demonstram essa necessidade”, afirma. 

“Para saber se haverá necessidade de reforço, vamos ter que acompanhar, pelo menos por um ano, se a as pessoas vacinadas estão perdendo a imunidade e se as variantes conseguiram modificar a proteção da vacina. A terceira dose não vai aumentar a imunidade da vacina. O reforço será necessário se ao longo do tempo essas duas coisas se comprovarem”, explica. 

Fonte: O Tempo

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