É inexorável ter a Operação Lava-Jato alcançado resultados expressivos no combate à corrupção e lavagem de dinheiro.

Por sua vez, os seus integrantes são melindrosos em demasia.

Quando o Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 14 deste mês, definiu ser competente a Justiça Eleitoral para julgar crimes comuns conexos a delitos eleitorais, houve manifestações dos procuradores da Lava-Jato contra a decisão, um péssimo exemplo para o cidadão comum. A partir daí, os membros do STF foram atacados nas redes sociais, de diversas formas, e ocorreram manifestações de rua.

A seguir, o STF abriu inquérito com o objetivo de investigar notícias fraudulentas (fake news), falsas comunicações, denunciações caluniosas, ameaças e demais infrações contra a honra e segurança do STF.

No dia 20, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, ex-juiz responsável pelos processos da Lava-Jato e membro perpétuo da Operação, teve o seu pacote, de combate à corrupção e ao crime organizado, criticado pelo Presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, sob a alegação de ser um “copia e cola” da proposta elaborada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do STF. Moro emitiu nota na qual afirma ter apresentado projeto inovador e amplo contra o crime organizado, crimes violentos e corrupção, finalizou dizendo o povo brasileiro não aguentar mais o adiamento do combate ao crime.

A Operação  Lava-Jato, sentindo haver possibilidade de retrocesso na apuração e no combate ao crime organizado, acelerou procedimentos para apresentar à sociedade fatos do seu trabalho, de forma midiática (nos meios de comunicação e nas redes sociais).

Dessa forma, na sexta-feira (22), desengavetou uma apuração já pronta e acelerou os pedidos das prisões preventivas do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco. Com isso, conseguiu o seu principal intento, ser as suas operações o principal evento do dia.

Com essas prisões, a Lava-Jato atingiu o centro do MDB, como já havia feito antes com o PT e PSDB. Desarticulou suas forças de poder, desacreditou suas principais lideranças e retirou possibilidades de, no curto prazo, esses partidos, caso não façam revitalização de suas lideranças, virem a ocupar maior espaço na política nacional.

Emergem novos atores políticos nesse ambiente de descrédito político dos partidos tradicionais, cada um almejando aparecer mais do que o outro e dá ensejo à atual contenda de egos e vaidades das instituições, seja dos procuradores da Lava-Jato, dos Ministros do STF, dos membros da Câmara e Senado Federal.

O objetivo é gerar fatos de impacto nacional para repercutir na mídia, com movimentos premeditados e divulgação nas mídias de comunicação, sem a preocupação imediata com o bem público e com as suas obrigações, sem a intenção de preservarem as instituições democráticas e o seu harmonioso funcionamento.

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