O vereador José Geraldo da Cunha (Cabo Cunha) fez uso da palavra durante a reunião de segunda-feira (18), na Câmara Municipal, para fazer mais uma denúncia sobre a compra de material de baixa qualidade por parte da administração municipal. Desta vez, na berlinda esteve o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae).

Segundo o relato do vereador, funcionários da autarquia estiveram na casa dele e afirmaram que o Saae teria adquirido tubos de PVC para a realização de reparos na rede de água e esgoto da cidade por meio de licitação, mas foi adquirida uma marca e entregue pela empresa outra marca, de qualidade inferior.

Ainda de acordo com relatos do vereador, na manhã de segunda-feira, em companhia da assessora de Comunicação da Câmara, Erica Oliveira Oliboni, ele esteve na sede do Saae e encontrou no almoxarifado uma série de canos de diferentes espessuras (diâmetros), cuja empresa fabricante não é conhecida.

Ele permaneceu no local, requisitando que lhe fosse apresentada a nota fiscal de compra do material em questão, mas após longo tempo de espera, foi informado de que já estava no horário de almoço e que o responsável pelo setor de compras não o atenderia: “Me avisaram que o vice-diretor do Saae disse para procurá-lo enquanto eu lá estava aguardando há quase uma hora e meia e é claro que não fui. Ele que viesse a mim e explicasse sobre a denúncia. Eu é que sou o vereador, que estou fiscalizando”, disse Cabo Cunha indignado com o tratamento que recebeu da direção do Saae, apesar de elogiar o tratamento dos demais funcionários com quem manteve contato durante a visita de fiscalização.

“´É por isso que não sobra dinheiro, porque compram mal, compram caro. E o dinheiro é jogado fora, no lixo. Melhor dizendo, não jogam fora não, esse dinheiro tem destino certo, vai para a malandragem”, afirmou o vereador.

 

(Fotos: Erica Oliveira Oliboni – assessoria da Câmara de Formiga)

O vereador Mauro César comentou o assunto, relembrando que a Caixa quer que o Saae devolva R$500 mil liberados em obras de canalização do esgoto, cujo material, foi desviado pela autarquia para ser empregado em outra obra, que não aquela financiada.

Cabo Cunha garantiu que as informações do flagrante mau uso das verbas públicas na compra de material de origem duvidosa será, como de costume, encaminhado ao Ministério Público.

Durante a reunião, o vereador Rogerinho do Fórum, que pertence ao partido do prefeito Moacir Ribeiro, o PMDB, repassou aos demais vereadores a informação oficial sobre o caso. “De acordo com o chefe da Comunicação, Flávio Roberto, ele já interpelou a empresa (que forneceu o material) e deu um prazo para a mesma se justificar. Caso não o faça, a Prefeitura entrará com ação judicial”, explicou Rogerinho.

A redação apurou junto a fontes (no Saae) que o material em questão foi adquirido conforme o previsto no pregão 100/2014, Registro de Preços. A empresa fornecedora foi a Polydin Plásticos e Derivados Ltda, de Uberaba-MG. Os fornecimentos anteriores foram considerados normais e este, cujos tubos apresentaram defeitos, somam o montante aproximado de R$ 26 mil.

Nota oficial

A Prefeitura ainda se pronunciou por meio de nota, onde confirmou a má qualidade dos tubos, mas garantiu que o problema foi solucionado. “Funcionários do Saae já haviam constatado problemas na última remessa de tubos feita pela empresa. Nas demais, que vêm ocorrendo há mais de um ano, não houve qualquer falha. O caso já havia sido repassado ao Departamento Jurídico da autarquia mesmo antes da visita ou da reclamação por parte do vereador. O vereador só não foi recebido pelo diretor do Saae, porque, no momento da visita, a direção estava em reunião agendada anteriormente na sede da Prefeitura.

A compra foi feita por meio de licitação (registro de preços), o que resguarda o Saae em caso de defeitos apresentados nos produtos. No momento, uma inspeção técnica nos tubos está sendo feita pelo setor de engenharia da autarquia para embasar de forma consistente as medidas que serão tomadas pelo Departamento Jurídico, que em situações anteriores já obteve sucesso na solução de problemas semelhantes. A direção do Saae confia em seu Departamento Jurídico e tem certeza de que, desta vez, não será diferente”, explicou a nota.

 

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