O vereador César Henrique Fernandes da Silva, conhecido como César Tarzan (PP), teve pedido de prisão preventiva decretado pela Polícia Federal (PF) nessa terça-feira (30). Na decisão que apreciou a representação, o juiz eleitoral determinou ao parlamentar o pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil em 24 horas. Caso a fiança não seja paga, a decisão já vale como mandado de prisão.

O vereador disse que acredita que a decisão tenha sido pelo fato de, no início do ano, ele ter viajado para Aparecida do Norte e Ubatuba, cidades do interior e litoral de São Paulo. Pela medida cautelar, ele não poderia sair de Divinópolis sem autorização da Justiça. César afirmou que tinha a autorização para viajar e que vai se reunir com o advogado nesta quarta-feira (31) e, posteriormente, irá se manifestar.

Mas a representação da Polícia Federal, segundo o delegado que preside o inquérito, Benício Cabral, foi porque o parlamentar voltou a ameaçar testemunhas. “Inclusive o vereador não pode se aproximar das testemunhas e ele realizou um evento na porta da casa de uma delas, evento esse que poderia ter sido realizado na Câmara ou em qualquer outro lugar”, explicou.

Vereador investigado

César Tarzan é investigado pela Polícia Federal por boca de urna, falsidade ideológica (pela prestação falsa de contas) e compra de votos. Em junho do ano passado, a PF e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) solicitaram medida cautelar e o juiz acatou. A medida foi devido ao fato de o vereador tentar interferir e tentar direcionar o depoimento de testemunhas do caso que está em investigação desde março de 2017.

“Dentro do inquérito que está em andamento na delegacia, e em razão do vereador ter descumprido medidas cautelares impostas pelo juiz eleitoral, foi novamente representado pela decretação da prisão preventiva dele. Na decisão que apreciou a representação da Polícia Federal, o juiz eleitoral determinou ao vereador o pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil em 24 horas”, informou o delegado regional da Polícia Federal, Daniel Souza.

Ele explica ainda que, caso a fiança não seja paga, a decisão já vale como mandado de prisão. “Se ele pague o valor, permanecem as medidas e se ele descumprir novamente, será decretada a prisão”.

Benício informou que o pagamento da fiança deve ser feito junto ao Cartório Eleitoral até a tarde desta quarta-feira (31) e, caso não seja feito, o cartório deverá comunicar a Polícia Federal que tomará as medidas necessárias.

Representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e da Polícia Federal (PF) cumpriram mandado de busca no gabinete do vereador César Tarzan em junho do ano passado. A suspeita é de que o parlamentar tenha comprado votos durante a campanha de 2016, feito boca de urna e falsa prestação de contas.

A época, o delegado da Polícia Federal, responsável pelo caso, Benício Cabral, disse que tudo começou quando uma pessoa que trabalhou na campanha de César Tarzan procurou a PF e denunciou que ele praticou atos considerados crimes pela legislação. “Ele teria feito compra de voto, boca de urna e uma prestação falsa de contas da campanha, além de ter gasto mais do que declarou. Essas informações foram comprovadas pela testemunha”, revelou Benício.

Defesa

Já o vereador, em uma entrevista coletiva realizada dias após o mandado de busca, informou que as mesmas denúncias foram feitas na Justiça Eleitoral em 2016 e o processo foi arquivado. No processo da Justiça Eleitoral, o denunciante afirma que o vereador, ainda em campanha, prometeu um cargo de primeiro assessor no gabinete caso vencesse as eleições e que César não cumpriu com o acordo.

Ao ser perguntado sobre o delegado da Polícia Federal Benício Cabral ter dito que há provas concretas, o vereador foi categórico: “Prova de coisa que não existiu, não tive acesso a este novo processo, mas as denúncias são as mesmas feitas na Justiça Eleitoral. Estou muito tranquilo quanto a isso. Não existe prova de um fato que jamais aconteceu”, finalizou.

 

Fonte: G1||

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