Lorene Pedrosa

Desde o dia 3 deste mês, quando foi publicado o decreto 7761, o município de Formiga está em situação de emergência devido ao aumento considerável nos casos de dengue.
A cidade corre sério risco de viver uma epidemia da doença, devido ao índice de infestação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Como o outono tem apresentado um clima atípico, com calor e chuva – condição ideal para a eclosão dos ovos do mosquito -, o período de infestação, que deveria estar no fim, pode se prolongar até a chegada definitiva do frio; por isso cuidados com a limpeza dos ambientes e uso de repelentes, devem ser redobrados.

O número de casos suspeitos na cidade já passa de mil e pelo menos 200 novos casos suspeitos têm surgido semanalmente, porém, os casos confirmados até na segunda-feira (13), não passavam de 100. Essa diferença tem ocorrido porque boa parte dos doentes, após ter os sintomas atenuados, não retorna à unidade de saúde para fazer a sorologia. Além disso, alguns pacientes confundem a realização do hemograma (exame de sangue) com o estudo próprio para a confirmação da doença (sorologia).

O que poucos sabem é da enorme importância do apontamento do número real de casos, o que pode influenciar até mesmo na quantidade de verba enviada pelo Estado para o controle da doença na cidade.

“Várias doenças virais, comuns nessa época do ano, como gripes, febre amarela, sarampo, escarlatina, zica, chikunguinya, possuem sintomas como os da dengue e como a cidade vive um surto da doença, os médicos pedem o hemograma para fazer o controle das plaquetas que, se estiverem muito baixas podem levar o paciente a uma hemorragia. Porém, o hemograma ajuda a diagnosticar que o paciente teve uma doença viral e não necessariamente dengue”, explica a enfermeira Berenice Penha, que está coordenando o Setor de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Formiga durante o afastamento da titular do cargo, Ana Dalva Costa.

Como a ação do vírus e impacto dele no organismo varia muito de um paciente para o outro, em alguns casos, após serem iniciados os cuidados médicos, em três dias os sintomas vão embora, mas a coleta de sangue para a sorologia deve ser feita sete dias após os primeiros sintomas. “A pessoa que já se sente bem, não retorna para fazer sorologia e o caso deixa de ser notificado, o que pode comprometer inclusive as ações de combate à doença no próximo ano, pois o planejamento também depende dos dados relativos aos casos confirmados da doença”, salientou a enfermeira.

Como fazer a sorologia?
Após receber do médico o encaminhamento para a sorologia, o paciente deve ir a um dos laboratórios que trabalham para a Secretaria de Saúde de Formiga (Laboratório São Geraldo ou Laboratório São Luiz) para realizar a coleta de material (sangue), sete dias após o aparecimento dos primeiros sintomas, que podem ser febre, vômito, coceira, exantema (manchas pelo corpo), dor no corpo, dor atrás dos olhos.

Pessoas que se tratam na rede particular e fazem exames em laboratórios particulares também devem fazer a sorologia pelo sistema público de saúde para que o caso também conste nas estatísticas.

Posteriormente, os soros colhidos serão enviados para a Fundação Ezequiel Dias (Funed). “Muitas cidades de Minas estão vivendo surtos e epidemias de dengue e as sorologias são todas enviadas para a Funed. Com o grande volume de soros para serem examinados, a devolução dos resultados tem demorado cerca de 30 dias, mas ainda sim, a confirmação é muito importante por todos os motivos que falamos, por isso fica o meu estímulo para que a pessoa que tenha um caso suspeito de dengue não deixe de fazer a sorologia, até mesmo para saber qual dos quatro tipos de vírus da dengue ela contraiu”, encerrou a enfermeira que informou ainda, que todos os pacientes que tiverem dúvidas sobre a doença e exames feitos podem procurar os profissionais dos postos de saúde da cidade para serem esclarecidos.

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